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terça-feira, 20 de agosto de 2013

O grito

Silenciei por muito tempo, mantive o seu e o meu silêncio esquecidos na correria do tempo, na loucura da rotina e me habituei a ele. Me acostumei ao seu sorriso vazio e aos seus olhos embaçados, e mantive o manto de silêncio entre nós, até que ele não me ferisse mais. Me tornei grata por ele, porque a ausência de som abriu espaço para que a música da vida entrasse e permitisse que a voz mais importante de todas fosse novamente ouvida.  E um silêncio se sobrepôs ao outro, me preparando para as despedidas e as chegadas que logo vieram.

As malas e as caixas de papelão se encheram de palavras, histórias, passado e futuro. Haviam sempre beijos, até logos e nos vemos em breve, carregados de arrependimentos. A liberdade e a independência, afinal, tinham o seu preço pago em moedas de silêncio, à prestação de sorrisos, mas com juros altos de saudades.

Mesmo depois de tanto silêncio, algumas palavras voltaram a revisitar minha mente, meus lábios e minha caneta, se unindo ao ar que resolveu retornar aos pulmões. Mas elas vêm diluídas, como um floral de Bach, com poder curativo a longo prazo. E das palavras com ausência de som brotou um grito contra a falta de cor, e o mundo cinza se tornou um furacão de cores vivas e cheias de significados.


Me senti como alguém que abriu os olhos pela primeira vez e enxergou as cores, as formas e as belezas naturais, como alguém que ouviu pela primeira vez uma melodia e o canto de um passado, como alguém que sentiu pela primeira vez o ar entrando em seus pulmões e o perfume das flores.

A vida que a gente adia para depois daquela compra, daquele emprego, da faculdade ou da aposentadoria, surge em uma manhã qualquer e te cobra sorrindo irônica. Porque aquele compromisso já foi cumprido, o emprego te chamou, a aposentadoria chegou e o diploma da faculdade está pronto. Mas como uma mania, procuramos adiar mais uma vez a vida que deveríamos estar vivendo. Só que ela não desiste e me chama sutilmente para dançar, para pintar, para cantar, para escrever ou para andar de skate.

A vida grita com você e comigo, e me joga pra fora da cama...


“Chega de Silêncio!”


domingo, 27 de janeiro de 2013

Silêncio


O silêncio era ensurdecedor, mas eu preferia a sua companhia a qualquer outra conversa trivial. Ele tem se mostrado um bom ouvinte, porque quando nossa boca se cala, a mente e o coração se manifestam. Era possível ouvir os meus anseios, temores e ao mesmo tempo encontrar conforto e palavras amigas.

Naquela noite, até o mundo tinha silenciado, não havia as vozes dos ventos, o canto dos pássaros, o grito irritante das ambulâncias e viaturas. Não havia brigas ou o som de passos apressados, nem mesmo o barulho de asas ou patas de insetos que insistem em querer passar pela janela nos dias de calor. Não havia nada, apenas eu e o silêncio.

E ele resolveu me acompanhar durante o dia seguinte, de uma forma estranha, minha voz tinha perdido a força e eu já não a reconhecia mais. Mas a necessidade do meu silêncio, não significava ou explicava o seu. Permaneci na ignorância das palavras não ditas e das perguntas sem resposta.


Minha vida estava mudando, havia tanta coisa por vir e todo o seu interesse tinha sumido de uma hora para outra. E também havia tanta coisa que eu queria saber de você, mas naquele momento, havia um manto espesso de silêncio, um abismo ao invés de uma ponte. Seu rosto sem expressão, emoção ou um simples sorriso, tudo tinha desaparecido junto com o brilho nos seus olhos. E os abraços calorosos e sinceros, que esperava depois de tanto tempo, não vieram...

No entanto, como dizem, o tempo é o melhor conselheiro e remédio, e dessa forma, permiti que o silêncio ali permanecesse, dentro de mim e entre nós. E por mais solitário que fosse, o silêncio acabou por preencher os espaços ocos que haviam.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Liberdade


Era como se me permitissem respirar novamente, e meu peito se enchia de novos ares, novas oportunidades e possibilidades. Um peso enorme tinha saído das minhas costas e o meu peito não estava mais segurando o choro, pedindo para aguentar firme e não sucumbir ao cansaço. As tão esperadas lágrimas de alívio tinham vindo, junto com uma multidão de abraços orgulhosos. Um dia, é claro, não foi o suficiente para cair a ficha de que tudo tinha acabado, que era possível a partir de agora viver a vida que eu sempre quis e esperei. Mas que vida era essa?
No dia seguinte, do dia mais esperado de todo o ano, me dei um presente: um colar com um pingente de asa, era uma única asa negra com pequenos pontos brilhantes. De alguma forma, aquela forma se encaixava perfeitamente no momento que eu estava vivendo, mas principalmente, na fase que se iniciava a partir daquele dia. A sensação de dever cumprido tinha tomado conta de mim.

Desde pequena minha mãe sempre dizia, que nos criava para sermos independentes, por isso tínhamos que aprender a cozinhar, andar sozinha, pedir informação, literalmente, se virar. Os passos eram simples: aprender a cuidar de uma casa, estudar e tirar boas notas, ter uma profissão, aprender a lidar com o dinheiro e seus gastos. Todas as essas pequenas lições tinham o objetivo de nos colocar as asas necessárias para voar e buscar os nossos próprios horizontes.
Depois de obstáculos e dificuldades, a maratona tinha se tornado uma caminhada para aproveitar a paisagem que se descortinava à minha frente. E no ano, que dizem ser o fim, para mim é o começo. As asas, que foram plantadas, já estão vastas e alçando voos aos poucos, e mesmo com o frio na barriga, elas me levarão a novas aventuras. Sempre sonhei com elas, e agora, a menina que esperava crescer para voar, agora vive seu próprio futuro: formada, empregada, independente e livre!

domingo, 30 de setembro de 2012

Uma mão



O dia e a noite se misturavam ao som de músicas velhas e conhecidas que a faziam companhia. Entre vitaminas e florais, ela tentava se manter acordada e viva para enfrentar mais um dia sem saber direito o que fazer, mas com a consciência de que uma pilha de pendências a esperava, em qualquer lugar. Não era possível fugir de tudo ou se esconder dos problemas, em algum momento, eles sempre a encontravam.

Mas ela estava com as pernas doendo de tanto correr, tudo o que precisava era se equilibrar com uma única perna no chão, abrir os braços e buscar um ponto fixo, logo a sua frente, em que pudesse confiar e que não se movesse, e que permanecesse sempre ali. Para conseguir, a sua concentração precisava ser total, nada ao redor poderia distrair.  Dessa forma, era possível até esquecer que apenas um pé está no chão e todo o resto do corpo está flutuando no ar. Mesmo assim, só aquele pequenino ponto a manteria em equilíbrio. E ele poderia ser qualquer coisa. Poderia ser qualquer um. Que simplesmente não a deixasse cair. 



Perdida em papéis e textos, ela buscava uma mão que a resgatasse. Que a chamasse para dançar mesmo estando de pijamas e descabelada. Que a fizesse companhia no sofá, enquanto escreve sem parar. Algo ou alguém que lhe devolvesse as cores e o rubor. Que lhe deixasse respirar, não que lhe tirasse o fôlego. Que a abraçasse e não que a sufocasse.  Um ponto fixo em que encontrasse o equilíbrio que tanto precisa.


Depois de tantos anos, a menina tinha se cansado da estrada longa, dos passos errantes, do pensamento sem parada. Queria a calma, o silêncio, o andar vagaroso e compartilhado, em que pudesse aproveitar a paisagem. Uma caminhada ao invés de uma maratona, que a inspirasse e que a enchesse de palavras. Porque finalmente tinha percebido que sem palavras, ela não era nada. 


domingo, 8 de julho de 2012

Branco


Fotos inspiradoras, comidas apaixonantes, histórias emocionantes... Aquela página em branco, pronta para se enfeitar de palavras e traços.

Mas a máquina fotográfica já não funciona mais, as paisagens bonitas perdem a chance de se tornarem eternas, se perdem na lembrança de um momento. A página em branco permanece em branco, as palavras sumiram e não há mais imagens para desenhar.

A mão enfraquecida apenas dói com o movimento repetitivo e o corpo deixa de existir com a rotina que se acumula.  A mesma paisagem, o mesmo dia, as mesmas pessoas. A alma se desmancha perdida em um mundo que não lhe pertence e esquecida de quem é. A mente se inquieta e enlouquece.

E quando chegamos à loucura, quando toda a razão já se foi, é a hora de fechar os olhos viciados, recolher a alma desmanchada e encontrar o corpo humano. O ser-máquina ainda luta com a sensibilidade do espírito, mas ele se cansa facilmente e agora está jogado em um canto, abandonado e sem forças.



Depois de meses vivendo quase no piloto-automático, era preciso parar e respirar, para lembrar que ainda estava viva. Quando paramos e esquecemos a loucura da vida na Terra, é preciso lembrar quem costumávamos ser, o que costumávamos sonhar. E o grito da arte ecoa pelos corredores. Afinal, a arte é a expressão da alma.  Faxina, da casa, do corpo e da alma. É preciso um tempo de reabilitação!

Estou fechada para balanço, é tempo de jogar fora o que não serve mais, renovar as cores, o cabelo, as bijuterias, as roupas e os pensamentos.  Achar a inspiração em algum lugar no mundo lá fora ou aqui dentro.
Reencontrar a garota dos laços e brincos delicados, a menina do rock e das roupas estilosas, até a moça meio hippie, cheia de teorias e meditações.

Voltar às palavras é difícil, aos traços é pior ainda. Mas os primeiros passos já foram dados. As  páginas em branco começam a ser preenchidas...


quinta-feira, 29 de março de 2012

Abstinência

Não me lembro quando foi a última vez que escrevi, só sei dizer que voltei, de algum lugar que não sei dizer o nome. Mas que me levou a ficar sem me sentir viva o suficiente. Aquele momento, que a maior parte das pessoas passa, e nos sentimos ocos por dentro, como se nada do que você tenha feito antes, tenha valido a pena, e todos os sacrifícios que faz agora não servirão para nada no futuro. O tempo e as pessoas sempre nos provam que estamos errados sobre isso e sobre um monte de coisas sobre o mundo.

A verdade é que o mundo gira muito rápido e se não fincarmos os pés bem fundo na terra, vamos ser lançados para fora do planeta e ficaremos orbitando em volta, sem nunca conseguir viver dentro dele de verdade. Nada é permanente ou absoluto, nada é eterno ou pretende ser – nem deveria ser. A mudança é fundamental para a evolução, e sem ela ficaríamos parados num mesmo lugar com medo do que pode nos atingir. A transição é o que nos faz mais fortes, é o que nos faz jogar tudo para o alto e recomeçar do zero – mesmo que não saibamos onde exatamente é esse ZERO.


Existem universos inteiros a serem descobertos dentro de nós mesmos e um mundo inteiro para ser visto lá fora. Mas veja lá... É para ser visto, não entendido ou julgado. Porque se você sair com o objetivo de entender e julgar tudo a partir da sua visão, pode acabar cego ou louco. É melhor apreciar e agradecer do que destruir e esbravejar. Veja, mas saiba o que vê... Enxergue de verdade, pois há muita sabedoria só de observar.

Ver faz parte de sentir e quando você sente, aí sim... Você vive.


Deixar de escrever e de desenhar e de pintar... Me fez lembrar isso. Não fiquei SEM me expressar por que quis. A inspiração foi embora assim como o tempo, aquele coelho branco que vive fugindo de nós, quando corremos atrás dele.

Tudo me deixou por um período, aquele momento de abstinência que experimentamos em algum momento de nossas vidas ou talvez, em vários momentos. Qualquer coisa que podemos “julgar” como importante um dia se vai e nos deixa vazio. COMPLETAMENTE vazio. Mas como não podemos entender o mundo, muito menos a vida em si. Nada e nem ninguém fica vazio por muito tempo, e às vezes a necessidade da abstinência está justamente em esvaziar tudo o que  julgamos “importante” para nos encher novamente - e lentamente - de tudo que é REALMENTE importante.

domingo, 19 de setembro de 2010

Um dia antes de partir

Quem nunca montou uma lista de coisas que gostaria de fazer antes de partir? Como os 1001 filmes que devemos assistir antes de morrer ou os 1001 lugares para conhecer ou os 1001 livros para ler e até os 1001 pratos para comer.

Depois de assistir aos filmes Antes de partir ou As férias da minha vida, o nosso primeiro impulso é pegar um papel e escrever todas as coisas, por mais malucas que sejam, que temos vontade de fazer. Para aproveitarmos cada minuto que nos resta. E fazer valer a pena cada momento.


Mesmo sem saber quando vamos partir -melhor assim- podemos realizar nossos desejos...(não ganhamos na loteria e então obviamente não vamos largar tudo e viajar por todo o mundo -se bem que não seria uma má ideia-).

Porém, cada dia pode ser o dia de novas conquistas e pequenos passos no caminho da realização. Não precisa ser algo grande, podem ser conquistas pequenas como aprender a dirigir ou comer em um restaurante japonês, mas também podem ser ousadas como saltar de asadelta.

Durante muitos anos a cada ano que entrava, uma nova lista de coisas que queria conquistar era proposta. No último ano, resolvi fazer uma lista de todas as conquistas já realizadas para valorizar mais o que consegui - normalmente nos surpreendemos com a lista e com tudo que conquistamos.


Passos grandes e pequenos que nos fazem nos sentir vivos e parte deste mundo.

Na verdade, não precisamos de um diagnóstico médico para nos dizer que um dia vamos partir, esta é a única certeza que temos. Então, porque não fazer agora o que realmente queremos. Não estou falando de cartão de crédito sem limite, nem atitudes inconsequentes...

O que queremos de verdade? Qual é o nosso maior sonho?E parafraseando o comercial do Pão de Açúcar: O que faz você feliz?

Já paramos nossa vida corrida e atribulada para nos perguntarmos isso e encontrarmos as respostas? Dica: Amanhã pode ser tarde demais - que tal começar agora?

sábado, 4 de setembro de 2010

Desapegando - homenagem aos amigos que se foram

Por que todas as pessoas que mais gostamos precisam ir embora? Talvez uma das grandes lições nesta vida seja aprender a me desapegar das pessoas. Todos aqueles que já se foram deste mundo, desta cidade ou da minha vida de certa forma levaram um pouco de mim e deixaram um pouco de si.

Estiveram presentes nos momentos mais difíceis e nos fizeram seguir em frente. Nos ensinando a rir e mostrando as coisas belas do caminho: o amor, a amizade, o perdão, o sol, o sorriso, a dança...Os pequenos detalhes que se tornaram de imenso valor, já que todos mostraram que valia a pena viver e ensinaram que seguir era melhor que desistir.

Por eles, a gratidão e a pequena homenagem nas linhas e palavras que não estarão perdidas no sussurro de uma confissão. Os amigos, eternos e caros. Mesmo não sabendo a importância que tem em nossa vida e história, permanecem sendo amados e queridos.


Ter notícias é relembrar com prazer dos velhos tempos, não tão velhos assim, mas muito distantes. Tempos sem preocupações, de risadas e ironias gostosas, de falatório sem importância intelectual, de brincadeiras fáceis e eternas. Tempo bom aquele, preguiçoso, de fandangos de presunto e biscoito de polvilho, de aviões de papel e guerra de canetinha.



Tempos estes inesquecíveis, de conversas profundas e espiritualizadas, de sorrisos provocantes e músicas empolgantes. Lembranças de discussões e debates à toa, e atitudes só para chamar a atenção. Tempos de molecagem e inocência.

Saudades, o que fazer? Desapegar? O que seria além da nostalgia?

A vida segue em frente e as pessoas continuam indo e vindo, num movimento infinito. Ninguém para por muito tempo, será que ninguém vai ficar? Será que alguém vai permanecer e seguir a estrada compartilhando os passos?


Não sei
Devemos desapegar...
Das coisas
Das pessoas
Será que estamos indo embora?
É o que fazemos quando estamos partindo.
Desapegar
Matar as saudades
Fazer o que sempre quisemos fazer
Elevar os sonhos
Rever as pessoas
Nos despedir
E partir
Partir para onde?
Mas já, tão cedo?
Não sei
Só sei que devemos nos desapegar...
E rezar para que todos vivam felizes
Que sejam felizes
E nós?
Alguém reza por nós?
Não sei
Só ame e ame incondicionalmente
Mostre o que as pessoas não conseguem ver
E deixe-as ir em paz. Desapegue.

Teorias sobre a vida



Me encanto com a teoria que aprendemos na escola que diz que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. A vida é um ciclo, assim como o tempo, a evolução e o espírito. Encontrar motivos e razões para viver não são o suficiente para ser feliz. Encontrar no que se tem o prazer, é um passo para a plenitude.

Não é ser acomodado, mas dar um passo de cada vez pela escada da vida é mais prudente do subir pelo corrimão. Ver beleza e pureza nas coisas e nas pessoas, prazer nos pequenos atos, amor nos gestos, paz e meio a correria do cotidiano. Felicidade vai além da conta bancária recheada, um casamento “perfeito”, o carro doa no e viagens para os filhos.


Equilíbrio e harmonia não se compram e é impossível financiar a felicidade ou parcelar a paz. Será que a realização que buscamos seja ganhar um milhão por mês? Será que o sucesso que queremos seja namorar com um modelo, casar com um ricaço e colecionar divórcios lucráveis? Será que a carreira que sonhamos seja perder a saúde para trabalhar 24 horas por dia?


Mais feliz o senhor na cadeira de balanço, na varanda de casa fumando seu cachimbo e lendo seu livro preferido. Enquanto a esposa tricota os sapatinhos do próximo neto, e a aguarda o bolo de fubá ficar pronto para servi-lo com café quente. Sonho americano? Acho que não, está mais para a simplicidade do sonho mineiro.


Talvez aí esteja a chave para todos os nossos problemas: a simplicidade. Parar e olhar o mundo, deixando de viver no piloto automático.
É incrível o que a escuridão pode fazer com você, é como se o buraco negro estivesse ali, pronto para te engolir. Se ainda tiver forças, esse é o momento certo para usá-la, se não, a escuridão te engolirá e nunca se sabe quando nem como poderá encontrar o caminho de volta. Em um túnel escuro, quando se acha que não há saída e enfim vemos uma luz por menor que seja, no fim de tudo aquilo, os pessimistas pensarão é a morte, os otimistas, que é a vida.

domingo, 29 de agosto de 2010

O gosto da inspiração


À procura do que escrever, ou melhor, sobre o que escrever na folha em branco, o cursor reaparece constante e ritmado, lembrando que o pensamento está parado, voando para qualquer lugar longe das palavras. A inspiração custa a chegar, procura-se nas novidades da TV, na rapidez e na linguagem da internet, nos livros e frases feitas.



O cotidiano, o caminho ou o tempo, todos são pontos comuns de uma nova visão. As viagens diárias pela região, as imagens curiosas à beira da estrada, todos poderiam ser tema de um novo texto em reflexão, porém nenhum deles é suficiente para aguçar minha imaginação.




Escrever, escrever e esvaziar o cérebro dos pensamentos que transbordam, mas novamente o fim e o nada, a folha em branco, que antes não assustava, volta como um pesadelo de falta de inspiração. Procuro de novo, e de novo – em algum lugar deve estar-; o sol lá fora é quente e inspirador, mas o vento frio faz tremer e tão breve como veio, a inspiração se vai.


O computador continua lá, com o sorriso irônico, debochando da falta que faz uma inspiração. E, agora, o que fazer? Relaxar, passear ou dar uma volta para ver se encontro o que perdi no meio do caminho? Ah! Essa pedra que me persegue e , quando vejo, estou de novo na companhia de Drummond, com suas palavras que saltam, se beijam e se dissolvem. Sim, elas se dissolvem e têm a terrível mania de sumir quando precisamos delas.


As horas avançam, o dia se vai e se perde. Porém é chegado o tempo, as vozes ao redor clamam, é preciso terminar o dia e recomeçar a noite, o cheiro invade as salas, os sentidos se aguçam,a atenção se desvia, é hora de despertar no meio do dia.

O sabor forte garganta a baixo, o calor envolvente, o pó escuro, a caneca cheia, o cérebro liga com dificuldade e a alma acorda com o gosto de café. O animado computador sorri , mas, desta vez, de agrado porque vai dançar ao som do teclado e brincar com as frases.

As páginas da nossa história


Um livro antigo, empoeirado, de páginas amareladas, brochura de couro vermelho desbotado. Entre as palavras rebuscadas e até desconhecidas, atualmente, entre as vírgulas e linhas, escondida com o olhar curioso e sorriso travesso- lá estava eu.

A viagem através das páginas mostrou que não existe uma história sequer, seja ela de que formato for que não tenha um pouquinho da nossa. Nos poemas românticos, nossas doces lembranças, nas narrativas de aventura, nosso sonhos de criança.





Mesmo os textos mais simples são carregados de sentimentos, emoção e experiências, e as energias das palavras também são transmitidas ao leitor. Não é a toa que se costuma dizer que a palavra tem poder.


No entanto, de nada valerá seu poder se quem as lê não se identifica com elas, seja por já ter vivido, viver ou sonhar em viver uma situação parecida. Quando nos identificamos com uma história, pegamos emprestados os olhos de terceiros para enxergar a nós mesmos.

São estes olhos que em meio as páginas amarelas, sorriem travessos apontando para nossa própria história e dizendo “leiam você também está nos livros”

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Como estamos velhos...

No meu tempo as coisas não eram assim...
As brincadeiras, as risadas, as roupas, os doces...
Tudo se perdeu de alguma forma entre as bonecas e as tranças. Naquele tempo o legal era ser grande e entrar no colegial,

-Aproveite porque tudo vai ser diferente aos 15, diziam alguns.

E não se via a hora de fazer 15. Largar a infância e ser independente.


Os 15 chegaram, e também os 16, o colégio era legal, bacana, irado...mas logo chegaram as preocupações dos 17, o fim estava próximo, e agora o que fazer? Já não tínhamos mais que sonhar, estavamos vivendo o tão esperado sonho de ser grande. Escolher a profissão, o namorado, o emprego e o futuro...era demais.

Os 18 chegaram rápidos demais e as preocupações só cresceram.

Os 19, ai Meu Deus! Contas, faculdade, trabalho, cabelos brancos e o futuro a espreita.

Lá vem os 20, os amigos de infância se foram, cresceram - coitados-, as velas no bolo aumentam e de repente a revelação: Como estamos ficando velhos...
É hora do renew, da tintura, dos cremes...


Não, é hora de recomeçar tudo de novo e viver melhor...tudo aquilo que não se viveu a espera de ser grande -com 1,53 já não se espera mais isso...

domingo, 11 de julho de 2010

Escolher o caminho

Mostrar o que ninguém consegue ver, mesmo que esteja em frente aos olhos, contar o que ninguém ouviu, mesmo que esteja sendo dito aos berros. Escrever, escrever e escrever, até que a mente não consiga mais pensar e coordenar movimentos com raciocínios.


Escolher um caminho, em meio a tantas opções é sempre difícil, mas sempre conseguimos saber lá no fundo o que realmente queremos fazer até o fim de nossos dias, mesmo que os gostos mudem, mesmo que o mercado seja competitivo, não importa lutar por aquilo que queremos. O complicado é quando não sabemos o que gostamos ou queremos.

A primeira escolha que me lembro foi ser ginasta, mas a vontade acabou com uma lesão aos 8 anos, aí que descobri que o esporte realmente não era comigo. Decidi que o melhor era estudar. Amava e ainda amo história e resolvi que seria arqueóloga, conheceria profundamente antigos povos, culturas e a origem de tudo, e descobriria ossos de dinossauros e ancestrais do homem, nada mais emocionante. Porém, para chegar até lá seria bem difícil e comecei a ponderar muito sobre as vantagens de ser arqueóloga e viver no meio da poeira, com a minha rinite alérgica. Escrever seria mais seguro? Sobre o que exatamente? Adorava assistir filmes e ver como eram produzidos, adorava desenhar sobre tudo e criar coleções de vestidos e roupas, adorava escrever histórias sobre pessoas. Pronto, estava feita a confusão.


Ouvir a opinião dos outros ajuda, mas também atrapalha, para cada um que perguntava Cinema, Moda ou Jornalismo, tinha a ver comigo, cabia a mim mesma decidir meu próprio caminho. Jornalismo foi por fim foi minha escolha final. Problema resolvido? Não o primeiro passo tinha sido dado, mas muito ainda tinha que ser percorrido para chegar até o objetivo final ...e qual seria este?

Escolher novamente, nós fazemos escolhas o tempo todo, não só escolhas de grande impacto como a profissão, mas as pequenas escolhas diárias também têm influência sobre nossa vida, mesmo sem perceber. Se não tomarmos nossas decisões e nos responsabilizarmos por elas, outros o farão, mas depois não podemos reclamar que as coisas não saíram como planejadas.
 
A estrada sempre estará lá, precisaremos sempre escolher segui-la ou pegar um atalho. O importante é sempre se lembrar aonde se quer chegar.

Uma história de pescador

Olhando velhos papéis para organizar meus arquivos encontrei uma história que escrevi quando tinha uns 10 anos, um dos meus primeiros contos que me lembro, logo após minha chegada no litoral paulista.

 
Para conhecer a cidade onde passaríamos muitos anos, todo final de semana visitávamos um novo lugar, principalmente as praias, no entanto viramos “fregueses” de uma pequena praia, escondida entre as pedras do morro dos Itatins mais conhecido como Guaraú, a Prainha.Naquela época, quase deserta, devido a dificuldade de acesso, hoje já mais visitada, gostávamos de estacionar o carro em um lugar estratégico, fácil de sair, próximo da entrada da praia, além de contar com um guardador de carro, que com o tempo nos tornou muito conhecido.

Sempre me interessei muito por história em si, e aquela praia exercia certo fascínio. De algumas pedras tínhamos a visão de um antigo forte construído há séculos, em um lugar que dava a vista da praia, da cidade e do mar. Com pedras cuidadosamente unidas por uma massa de areia, conchas e óleo animal, o cimento da época, a construção estava praticamente intacta, com a altura aproximadamente de um prédio de três andares.

Em nossas visitas freqüentes encontramos caminhos entre trilhas ou escalando pedras tentando chegar cada vez mais perto do forte, eram nossos dias de aventura e caça ao tesouro. Fizemos várias tentativas até conseguir alcançar a frente do lugar... Só que era impossível entrar, pelo menos pela porta da frente.

Passamos a conhecer e descobrir novos caminhos e pequenas praias que circundavam a região antes e depois do forte. Meu pai, que nunca teve muita dificuldade de puxar assunto, conheceu alguns moradores da região, entre eles estava o nosso guardador de carros, o Senhor João. Com o rosto queimado do sol, sofrido, cheio de marcas da idade e da vida difícil, porém conservava a simpatia e o sorriso, muito pobre e idoso, vivia sozinho, e dormia perto de um dos canhões do antigo forte.

Já que não podia entrar na tão desejada construção e inspirada na história do simpático e solitário Senhor João, escrevi o conto “Uma história de pescador”. A narrativa, conta sobre a aventura que João, senhor pescador e solitário, que vive no antigo forte e se vê em uma grande aventura, com um pescador meio louco que lhe convence a irem a busca de um tesouro guardado numa ilha.


O texto na íntegra não será publicado tão cedo, já que precisa de muitas revisões e complementos, que não são muitos importantes quando temos 10 anos. Entretanto, o que ficou não foram as aventuras criadas, mas a história humana e anônima, de um guardador de carros, que para muitos passou despercebido.

 
Há muito tempo não visito a Prainha e nem me aventuro nas proximidades do antigo forte, o senhor João que permaneceu guardando carros durante mais alguns bons anos, já faleceu, mas deixou sua história e sua inspiração na lembrança e nas palavras de um texto, com frases e intenções simples.

Os primeiros passos da felicidade


Para uma grande caminhada precisamos dar os primeiros passos, seja lá para que lado for, precisamos seguir. Alguém muito sábio me disse uma vez que não podemos encontrar a felicidade no passado ou no futuro, e que só vivendo o presente, cada dia de uma vez é que temos alguma chance de sentir plenamente a felicidade que tanto procuramos.

Entre muitas tentativas de entender sobre a felicidade muitos já tentaram dar uma definição ou buscar uma receita pronta sobre o que ela é ou como guardá-la por mais do que alguns momentos.


São muitos caminhos e escolhas, e são eles que acabam definindo quem somos e como aproveitamos a vida. Seja pintando, cantando, viajando ou trabalhando....de alguma forma sempre buscamos nossa plenitude ou nossa liberdade, traçando assim o nosso destino.


Por algum motivo...alguns de nós fazem isso escrevendo..