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sábado, 17 de julho de 2010

Pequena cidade, grandes problemas

Peruíbe cresceu muito nos últimos dez anos, e vem acumulando problemas de grandes cidades, a falta de seriedade na gestão pública do Portal da Juréia tem deixado cada dia mais a população abandonada.

Problemas com transportes nunca foi novidade para nenhuma cidade, mas nos últimos anos o descaso na cidade tem atrapalhado a vida de muitas pessoas que dependem do transporte público.

Durante o levantamento de dados para a matéria abaixo, enquanto falava por telefone com um funcionário da Câmara que não quis se identificar me contou que naquele exato momento um ônibus estava quebrado no meio da estrada de terra no Guaraú. E um grupo de crianças tentando chegar a escola, estava continuando o trajeto a pé. Para quem não conhece o bairro, ele fica muito afastado do centro da cidade, sendo necessário atravessar um morro, em uma estrada tortuosa de uns 7 km, além de grande parte das ruas serem de terra. O que estava sendo feito? A Secretaria de Educação estava tentando...TENTANDO enviar um ônibus da prefeitura para buscá-los.

Os problemas podem ser grandes, mas se tornam piores quando são empurrados para debaixo do tapete, esperando a próxima gestão.
Comissão em Peruíbe registra problemas com os ônibus municipais
Para apurar as possíveis irregularidades do contrato da empresa de transportes municipais Intersul, uma Comissão foi formada pelos vereadores da Câmara Municipal de Peruíbe. As reclamações mais comuns da população são sobre a falta de ônibus, as péssimas condições dos veículos, a falta de adaptação para deficientes físicos e para circular na zona rural.


O diretor do Departamento de Trânsito (Ditran) de Peruíbe, Roberto Modesto, por telefone afirma ter recebido muitas reclamações encaminhadas pela Ouvidoria Pública sobre o atraso do horário dos ônibus, principalmente porque muitas crianças estão perdendo aula. Apesar das reclamações freqüentes dos moradores só existem oito processos registrados sobre o assunto. Ele acredita que a dificuldade maior está com as condições das estradas, já que nos bairros mais afastados e que pertencem à zona rural, as vias são de terra e a chuva tem deixado a situação ainda pior.


O grupo de vereadores já visitou dois bairros, realizando audiências públicas com a comunidade, filmando e gravando as irregularidades com funcionários da Câmara, como o caso da região do Bananal e da Barra do Una, que só há um ônibus disponível para a linha, se o veículo quebra ou atola a empresa não disponibiliza outro para o local. Ainda serão visitados outros dois bairros que continuam tendo muitas dificuldades com os horários dos ônibus, porém ainda estão analisando o cronograma das audiências. A Comissão tem um prazo de 90 dias para apresentar o relatório final. O gerente da empresa de transportes Intersul não foi localizado para esclarecer o assunto.


Enquanto o relatório final não sai, a população continua nos pontos de ônibus sem saber o horário em que o ônibus irá passar. Neide Reis, uma senhora sentada escondida atrás do aglomerado que se forma na hora do almoço no ponto de ônibus próximo a rodoviária, desabafa que "os ônibus demoram muito, eles deveriam manter o mesmo horário". Irani Soares de Almeida, moradora e usuária freqüente do ônibus da linha bairro Guaraú reclama que "os horários estão horríveis principalmente para os bairros afastados, além de atrasar, existem poucos ônibus que fazem a linha e vivem quebrando no caminho".

domingo, 11 de julho de 2010

A história enferrujada


Quantos problemas poderiam ser solucionados se a malha ferroviária do país fosse reativada? Quanto tempo seria economizado se os trajetos fossem feitos pelos trilhos?



Atravesso todos os dias seis, das nove cidades da Baixada Santista, para trabalhar e estudar, e na maior parte do caminho vejo os trilhos ferroviários paralelos à rodovia, sendo engolidos pelo mato, asfalto e ferrugem. Não é só história que estamos enterrando, mas uma possível solução para os intermináveis trânsitos, além da praticidade e da rapidez.

 
Quando as especulações do porto em Peruíbe chegaram, a paz e a tranqüilidade, além da preservação e segurança iriam dar adeus à nossa cidade, mas um progresso tão grande também iria trazer suas vantagens, como emprego e uma melhoria na infra-estrutura, como hospitais e...a ferrovia de volta.


Dizem que não é possível imaginar a sensação de se andar de trem, mas eu não precisava imaginar. Escrever esta matéria foi resgatar não só a história da região, mas minha própria história, já que este foi um dos transportes mais usados na minha infância entre São Paulo e Santo André.

Os dados que consegui durante uma semana de pesquisas, não foram mais importantes do que o depoimento que consegui no dia de entrega da matéria. Poucas horas antes de ir para a faculdade, conversei com a dona Cecília, a avó de um grande amigo, que me mostrou com emoção a típica cultura de uma pequena cidade.

Esta foi uma das histórias que mais gostei de contar, mas é claro que ainda existem muitas outras histórias para serem contadas...




Sem Porto Brasil ferrovia Santos-Juquiá é novamente esquecida
A questão da ferrovia Santos-Juquiá, desativada completamente há 6 anos voltou à discussão com o projeto do Porto Brasil, e os investimentos que seriam trazidos pela empresa LLX, tendo a necessidade da reativação da malha ferroviária para transportar a carga. No entanto, com as dificuldades de desenvolver o projeto, devido a questão indígena a LLX suspendeu os investimentos, deixando a ferrovia por enquanto esquecida.

Este, porém, não foi o único projeto para a reutilização da estrada de ferro, a Agência Metropolitana da Baixada Santista (AGEM), elaborou há alguns anos o Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado, onde uma de suas ações seria o apoio ao aumento do uso ferroviário para o transporte de cargas e o uso do Veículo Leve sobre Trilhos, sendo aproveitado para fins turísticos. Por telefone o diretor técnico da AGEM, Paulo de Moraes disse que "na época que o projeto foi feito a ferrovia não estava privatizada, hoje é mais difícil já que ela pertence a concessionária América Latina Logística (ALL) e por enquanto só existiram propostas de reativação, mas a realização destes projetos está somente no futuro". Paulo afirma também que "com a expansão da área do porto, a ferrovia pode voltar a funcionar, no entanto primeiramente o que voltaria seriam os transportes de cargas".

Enquanto as propostas não se realizam, algumas cidades como Santos, Itanhaém e Peruíbe estão se preocupando em resgatar um pouco da cultura com a restauração das antigas Estações, trazendo para dentro delas um pouco da história e memória de cada cidade.

Com esse intuito o Instituto Cidade Cidadã (ICC) em parceria com a Prefeitura Municipal de Peruíbe criou um movimento chamado "Amigos da Estação" com o objetivo de difundir a cultura e a história peruibense, aproveitando o espaço para criar o Arquivo histórico municipal. O Secretário-Executivo e de Relações Institucionais do (ICC), José Marcio Cunha afirma que "infelizmente das cidades da região Peruíbe é a mais frágil em questão de memória histórica, por isso o Instituto fez essa parceria com o objetivo de divulgar o patrimônio histórico e cultural, colocando a disposição da população documentos que lhes sirvam de pesquisa".

Segundo a historiadora do Departamento de Cultura de Peruíbe, Fátima Cristina Pires "a documentação do arquivo será de órgãos públicos e privados contando um pouco da história da cidade". Ela acrescenta que "esporadicamente poderão acontecer no local algumas exposições dentro do contexto histórico". Fátima também explica que a restauração começou em 01 de julho de 2008 e que a obra precisa ser feita em etapas, já que depende da aprovação e liberação de verbas da Caixa Econômica Federal, o plano era que fosse finalizada no último dia 28 de agosto, quando a Estação completou 95 anos, mas agora não existe previsão para o término da restauração.



A importância desta ferrovia era tamanha que a rodovia foi construída paralelamente a ela, no entanto coberta pelo mato, ou escondida entre casas irregulares, o barulho típico dos trens foi sendo esquecido. Com quase um século de existência a ferrovia Santos-Juquiá inaugurada em janeiro de 1914, na época em concessão da Southern São Paulo Railway, foi responsável pelo desenvolvimento da região e por 89 anos serviu como transporte de passageiros e cargas. Hoje, a ferrovia fica apenas na memória de alguns que utilizaram o transporte, com uma extensão de 161,5 km de puro abandono.


Cecília Ramos dos Santos, 75 anos, moradora de Peruíbe há 32 anos, lembra com saudade das passagens dos trens "quando ouvia o apito todo mundo parava o que estava fazendo para ver o trem passar, as viagens eram muito gostosas, podíamos ir apreciando a paisagem". Cecília relembra ainda que "na época não tínhamos muita opção, para sair da cidade era ou indo de carroça seguindo pela praia ou de trem, apesar dos trens não estarem em bom estado, é uma coisa que a gente sente saudade, afinal ficou uma tristeza quando ele parou de circular, já que sabíamos que aquela hora era a hora do trem".