sábado, 4 de setembro de 2010

Desapegando - homenagem aos amigos que se foram

Por que todas as pessoas que mais gostamos precisam ir embora? Talvez uma das grandes lições nesta vida seja aprender a me desapegar das pessoas. Todos aqueles que já se foram deste mundo, desta cidade ou da minha vida de certa forma levaram um pouco de mim e deixaram um pouco de si.

Estiveram presentes nos momentos mais difíceis e nos fizeram seguir em frente. Nos ensinando a rir e mostrando as coisas belas do caminho: o amor, a amizade, o perdão, o sol, o sorriso, a dança...Os pequenos detalhes que se tornaram de imenso valor, já que todos mostraram que valia a pena viver e ensinaram que seguir era melhor que desistir.

Por eles, a gratidão e a pequena homenagem nas linhas e palavras que não estarão perdidas no sussurro de uma confissão. Os amigos, eternos e caros. Mesmo não sabendo a importância que tem em nossa vida e história, permanecem sendo amados e queridos.


Ter notícias é relembrar com prazer dos velhos tempos, não tão velhos assim, mas muito distantes. Tempos sem preocupações, de risadas e ironias gostosas, de falatório sem importância intelectual, de brincadeiras fáceis e eternas. Tempo bom aquele, preguiçoso, de fandangos de presunto e biscoito de polvilho, de aviões de papel e guerra de canetinha.



Tempos estes inesquecíveis, de conversas profundas e espiritualizadas, de sorrisos provocantes e músicas empolgantes. Lembranças de discussões e debates à toa, e atitudes só para chamar a atenção. Tempos de molecagem e inocência.

Saudades, o que fazer? Desapegar? O que seria além da nostalgia?

A vida segue em frente e as pessoas continuam indo e vindo, num movimento infinito. Ninguém para por muito tempo, será que ninguém vai ficar? Será que alguém vai permanecer e seguir a estrada compartilhando os passos?


Não sei
Devemos desapegar...
Das coisas
Das pessoas
Será que estamos indo embora?
É o que fazemos quando estamos partindo.
Desapegar
Matar as saudades
Fazer o que sempre quisemos fazer
Elevar os sonhos
Rever as pessoas
Nos despedir
E partir
Partir para onde?
Mas já, tão cedo?
Não sei
Só sei que devemos nos desapegar...
E rezar para que todos vivam felizes
Que sejam felizes
E nós?
Alguém reza por nós?
Não sei
Só ame e ame incondicionalmente
Mostre o que as pessoas não conseguem ver
E deixe-as ir em paz. Desapegue.

Teorias sobre a vida



Me encanto com a teoria que aprendemos na escola que diz que na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. A vida é um ciclo, assim como o tempo, a evolução e o espírito. Encontrar motivos e razões para viver não são o suficiente para ser feliz. Encontrar no que se tem o prazer, é um passo para a plenitude.

Não é ser acomodado, mas dar um passo de cada vez pela escada da vida é mais prudente do subir pelo corrimão. Ver beleza e pureza nas coisas e nas pessoas, prazer nos pequenos atos, amor nos gestos, paz e meio a correria do cotidiano. Felicidade vai além da conta bancária recheada, um casamento “perfeito”, o carro doa no e viagens para os filhos.


Equilíbrio e harmonia não se compram e é impossível financiar a felicidade ou parcelar a paz. Será que a realização que buscamos seja ganhar um milhão por mês? Será que o sucesso que queremos seja namorar com um modelo, casar com um ricaço e colecionar divórcios lucráveis? Será que a carreira que sonhamos seja perder a saúde para trabalhar 24 horas por dia?


Mais feliz o senhor na cadeira de balanço, na varanda de casa fumando seu cachimbo e lendo seu livro preferido. Enquanto a esposa tricota os sapatinhos do próximo neto, e a aguarda o bolo de fubá ficar pronto para servi-lo com café quente. Sonho americano? Acho que não, está mais para a simplicidade do sonho mineiro.


Talvez aí esteja a chave para todos os nossos problemas: a simplicidade. Parar e olhar o mundo, deixando de viver no piloto automático.
É incrível o que a escuridão pode fazer com você, é como se o buraco negro estivesse ali, pronto para te engolir. Se ainda tiver forças, esse é o momento certo para usá-la, se não, a escuridão te engolirá e nunca se sabe quando nem como poderá encontrar o caminho de volta. Em um túnel escuro, quando se acha que não há saída e enfim vemos uma luz por menor que seja, no fim de tudo aquilo, os pessimistas pensarão é a morte, os otimistas, que é a vida.

domingo, 29 de agosto de 2010

O gosto da inspiração


À procura do que escrever, ou melhor, sobre o que escrever na folha em branco, o cursor reaparece constante e ritmado, lembrando que o pensamento está parado, voando para qualquer lugar longe das palavras. A inspiração custa a chegar, procura-se nas novidades da TV, na rapidez e na linguagem da internet, nos livros e frases feitas.



O cotidiano, o caminho ou o tempo, todos são pontos comuns de uma nova visão. As viagens diárias pela região, as imagens curiosas à beira da estrada, todos poderiam ser tema de um novo texto em reflexão, porém nenhum deles é suficiente para aguçar minha imaginação.




Escrever, escrever e esvaziar o cérebro dos pensamentos que transbordam, mas novamente o fim e o nada, a folha em branco, que antes não assustava, volta como um pesadelo de falta de inspiração. Procuro de novo, e de novo – em algum lugar deve estar-; o sol lá fora é quente e inspirador, mas o vento frio faz tremer e tão breve como veio, a inspiração se vai.


O computador continua lá, com o sorriso irônico, debochando da falta que faz uma inspiração. E, agora, o que fazer? Relaxar, passear ou dar uma volta para ver se encontro o que perdi no meio do caminho? Ah! Essa pedra que me persegue e , quando vejo, estou de novo na companhia de Drummond, com suas palavras que saltam, se beijam e se dissolvem. Sim, elas se dissolvem e têm a terrível mania de sumir quando precisamos delas.


As horas avançam, o dia se vai e se perde. Porém é chegado o tempo, as vozes ao redor clamam, é preciso terminar o dia e recomeçar a noite, o cheiro invade as salas, os sentidos se aguçam,a atenção se desvia, é hora de despertar no meio do dia.

O sabor forte garganta a baixo, o calor envolvente, o pó escuro, a caneca cheia, o cérebro liga com dificuldade e a alma acorda com o gosto de café. O animado computador sorri , mas, desta vez, de agrado porque vai dançar ao som do teclado e brincar com as frases.

As páginas da nossa história


Um livro antigo, empoeirado, de páginas amareladas, brochura de couro vermelho desbotado. Entre as palavras rebuscadas e até desconhecidas, atualmente, entre as vírgulas e linhas, escondida com o olhar curioso e sorriso travesso- lá estava eu.

A viagem através das páginas mostrou que não existe uma história sequer, seja ela de que formato for que não tenha um pouquinho da nossa. Nos poemas românticos, nossas doces lembranças, nas narrativas de aventura, nosso sonhos de criança.





Mesmo os textos mais simples são carregados de sentimentos, emoção e experiências, e as energias das palavras também são transmitidas ao leitor. Não é a toa que se costuma dizer que a palavra tem poder.


No entanto, de nada valerá seu poder se quem as lê não se identifica com elas, seja por já ter vivido, viver ou sonhar em viver uma situação parecida. Quando nos identificamos com uma história, pegamos emprestados os olhos de terceiros para enxergar a nós mesmos.

São estes olhos que em meio as páginas amarelas, sorriem travessos apontando para nossa própria história e dizendo “leiam você também está nos livros”

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Como estamos velhos...

No meu tempo as coisas não eram assim...
As brincadeiras, as risadas, as roupas, os doces...
Tudo se perdeu de alguma forma entre as bonecas e as tranças. Naquele tempo o legal era ser grande e entrar no colegial,

-Aproveite porque tudo vai ser diferente aos 15, diziam alguns.

E não se via a hora de fazer 15. Largar a infância e ser independente.


Os 15 chegaram, e também os 16, o colégio era legal, bacana, irado...mas logo chegaram as preocupações dos 17, o fim estava próximo, e agora o que fazer? Já não tínhamos mais que sonhar, estavamos vivendo o tão esperado sonho de ser grande. Escolher a profissão, o namorado, o emprego e o futuro...era demais.

Os 18 chegaram rápidos demais e as preocupações só cresceram.

Os 19, ai Meu Deus! Contas, faculdade, trabalho, cabelos brancos e o futuro a espreita.

Lá vem os 20, os amigos de infância se foram, cresceram - coitados-, as velas no bolo aumentam e de repente a revelação: Como estamos ficando velhos...
É hora do renew, da tintura, dos cremes...


Não, é hora de recomeçar tudo de novo e viver melhor...tudo aquilo que não se viveu a espera de ser grande -com 1,53 já não se espera mais isso...